A moda a seu modo Entrevista com os designers de moda Gleiciane Silva e Carlos César

A moda pode ser e não ser ao mesmo tempo que transforma e faz evoluir. A moda faz parte da sociedade desde a sua existência e constrói a essência de cada povo e cultura. A moda do dia a dia, do ser você, da construção da individualidade atrelada ao que de mais novo está nas passarelas é a moda vivida a cada dia por todos. A moda que se encontra presente não só em peças de roupas, mas e mais em acessórios, em estilos, em estar, em ser. A moda que vamos falar na entrevista com os designers de moda formados na Universidade federal do Piauí é a moda a seu modo.

DICIONÁRIO DA ENTREVISTA

Um breve bate-papo sobre moda com os designers Gleiciane Silva e Carlos César.

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O que é moda para cada um de vocês?

Gleiciane:

Moda é modo, então a gente entende e compreende moda como identidade também, como personalidade, como a construção da identidade por meio da roupa ou de um acessório, a moda está a serviço da gente nessa construção de identidade e de expressão também. Então eu acredito que se eu fosse falar o que é moda, moda é expressão.

Carlos:

Complementando, Moda é identidade, e eu gosto muito da moda por ela também ser uma expressão artística do que você é. Ela contempla as identidades, as individualidades e ela meio que consegue determinar historicamente os períodos que a gente vive, a gente consegue entender a sociedade por meio da roupa, por meio da moda e como ela lida com essas questões dos ornamentos e tudo. Acho a moda muito importante por causa disso.

Acreditam que apesar da moda possuir suas formas, suas tendências, ainda seria possível construir a moda a seu modo?

Carlos:

Eu acho que sim. Por exemplo, tem as tendências, a televisão, a mídia diz o que a gente deve usar, mas eu acho que você consegue colocar sua personalidade e também não sair tão destoante da tendência do momento, apesar de eu achar bem complicado essa questão de tendência. Então eu acho que tem como você firmar seu estilo com base no que você gosta, com base no que você acha bonito e você pode sim colocar sua personalidade no modo que você se interpreta com a roupa.

Gleiciane:

Também concordo, eu acho que quando a gente começou a falar sobre Slow Fashion a gente começou a ver a moda de uma outra forma nessa nova perspectiva, porque antes a gente tinha uma obrigação de seguir tendências, de copiar o que estava na televisão, o que estava na revista de moda, o que o artista vestia, a gente ainda encontra isso no mercado da moda, essa cópia, esse querer estar dentro de um padrão, mas eu acredito que com o slow fashion, eu acredito também numa coisa muito importante quando a gente fala dessa moda, essa transformação da moda, eu acredito que o empoderamento feminino junto com o feminismo conseguiu entrar em vários setores da cidade e a moda é um deles, por que quando a gente fala em moda a gente fala muito em padrão e o objetivo agora é essa desconstrução e com essa desconstrução a gente consegue entender que cada um pode ver o que está na revista, o que está na televisão, mas que pode adaptar para a sua realidade, então as coisas estão se transformando, a moda está num processo de transformação e de transição, com isso eu acredito que a gente esteja caminhando para ter uma identidade e absorver o que é importante filtrar, nem tudo que tá na moda é para mim, ou tem a ver comigo, com a minha identidade, personalidade. O importante é filtrar e saber de que forma aquilo se adapta a você e não você se encaixar aquilo que está na moda.

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A questão da customização entraria nesse meio da moda autêntica, ao modo de quem a customiza?

Carlos:

Com certeza. É uma das coisas mais legais da moda, essa questão da customização. Porque é algo que é único, porque você está customizando, você que está fazendo, não é algo produzido em larga escala porque é você que está fazendo artesanalmente ali no caso, por exemplo, eu pinto blusas, então eu as vezes prefiro comprar as blusas brancas do que comprar uma blusa de uma determinada fast fashion, por que por exemplo é constrangedor quando você está com uma blusa e a outra pessoa está com a blusa igual, ai pra você se destacar eu fico “não, eu vou comprar uma blusa branca e vou pintar, customizar da minha forma e assim vai ser único porque só eu que fiz aquilo”,  e ai eu acabo definindo bem minha personalidade, meus gostos, colocando na customização, deixando do jeito que eu quero.

Gleiciane:

Essa ideia de customização é a parte autêntica da moda quando a gente fala, que aí você pode colocar o que você gosta, o que você é, fazer as adaptações. Inclusive é interessante essa parte de customização e de como ela está vindo com força, tem uma marca da Isabela Capeto, uma marca que eu gosto muito, e ela trabalha com essa ideia de customização, então traz a ideia de que cada peça foi customizada, de que cada peça é exclusiva, que houve um processo de pegar um retalho, de pegar um acessório, juntar, transformar e dar ideia de customização e ao mesmo tempo de exclusividade, então ela consegue produzir, você consegue comprar uma peça e ter a sensação de customizado.

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O universo da moda é um universo que vive se modificando constantemente, acham que uma moda acessível é capaz de acompanhar essas mudanças do mundo da moda? De que maneira?

Carlos:

Quando tem os grandes lançamentos das grandes empresas nesses centros fashions pelo mundo acaba que as fast fashion elas absorvem parte dessa moda e redesenham a coleção para ser mais acessível no caso e aí acaba que muitas dessas peças das fast fashion acabam sendo copiadas e produzidas nessas lojas menores. Por exemplo, shopping da cidade e etc., tem muita coisa assim que você viu na novela e está lá, então eles estão bem antenados com o que está acontecendo no mundo, o que está em alta, determinada cor e tudo; eles tão bem antenados mesmo e é algo bem interessante porque é globalizado. Só porque eles não têm a informação, talvez, o conhecimento, não quer dizer que eles estejam por fora desse ciclo de como a moda fica se reinventando o tempo todo.

Gleiciane:

A gente já tinha comentado, em relação ao shopping da cidade que a gente consegue ter peças de tendências as vezes bem mais rápido que a gente encontra nessas fast fashion, nessas lojas de departamento, então eles conseguem, principalmente com o acesso à internet, a informação, eles conseguem também ter essas peças de forma mais rápida por um preço mais acessível e também outra coisa que eles costumam fazer é participar dessas feiras que acontecem em outros estados e lá tem também a questão do lançamento de tendências. O preço é acessível, eles conseguem passar esse produto que está na moda de forma mais rápida, claro que há o lado positivo disso, porque gera renda, mas a cópia, até que ponto ela é plausível? Até que ponto não? E é uma cadeia, vai falar de trabalho escravo, a gente vai tocar nesse assunto, porque se a gente tem uma peça mais barata consequentemente em algum ponto desse serviço houve alguém que recebesse menos e geralmente é a mão de obra, então é uma gangorra complicada de se falar, pois ao mesmo tempo que a gente pode dar ao consumidor um preço acessível a gente tem um lado obscuro da moda que é o que incomoda e que a gente está aqui para tentar levantar a bandeira de que não é legal. E não é legal também entender que o consumidor faz parte desse ciclo, a gente não conseguiu entender que se está tendo ainda para quem vender é porque tem um público que está consumindo, que está comprando e ai a responsabilidade nessa roda é de todo mundo.

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O que é estar na moda?

Carlos:

Olha, eu acho que estar na moda é uma pergunta complexa porque você já pensa que é estar de acordo com as tendências e o que esta acontecendo durante os eventos, como desfiles, essas coisas, só que ao meu ver estar na moda é você ser fiel  a sua identidade e você ser fiel consigo mesmo, com o que você gosta, com o que você veste, é muito complicado você dizer se fulano está na moda ou não porque hoje em dia eu acho que isso não vale, isso de “ah, amarelo, aquele vestidinho amarelo todo mundo tem que usar senão você não esta na moda”, hoje em dia isso não existe mais. Ao meu ver estar na moda é você ser fiel consigo mesmo vestindo o que você gosta, construindo a sua identidade e você consumindo o que você gosta não o que estão impondo, no caso os grandes desfiles ou centros mundiais do mercado, porque as pessoas sempre vão adaptar aquilo e nem todo mundo vai estar usando a mesma coisa que eles estão querendo que você use.

Gleiciane:

Concordo. A moda esta democrática, então estar na moda é respeitar essa democracia e entender que cada um pode se vestir, se expressar da forma como lhe cabe, como lhe é melhor, então essa relação de estar na moda, se antes a gente entendia como está dentro dessas tendências e seguir as tendências, se vestir como todo mundo está no momento, porque antes se tinha a ideia de que estar vestindo como todo mundo fazia você se encaixar naquele grupo, fazer parte daquele grupo, daquela sociedade, ser aceito de uma forma melhor, então por conta disso acredito que muita gente vivia preso a essa moda de tendências e vestir as vezes coisas que não se sentia bem, de estar mais apertada, de vestir uma roupa menor, de vestir uma cor que não gostava pra poder se encaixar nessa moda padronizada, eu acho que com essa democratização da moda e com essa aceitação a gente consegue entender que não, que agora eu posso me vestir e me expressar, usar cor, a roupa com o tamanho que eu quero por que a gente vai se aceitando e construindo uma nova moda com as diferenças, se todo mundo tem a mesma opinião, se veste do mesmo jeito tem a mesma ideia vamos ficar no mesmo patamar, fazendo as mesmas coisas, então com a democratização a gente consegue entender essa mudança.

CARLOS

GLEICIANE

Um pouco sobre o projeto de bolsas dos designers:

apareceu a margarida

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Apareceu a Margarida

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Autor: lamodejuh

Uma garota divertida e que adora alegrar os outros, focada e pronta para ajudar sempre que necessário.

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