Aceitação #papodeamiga

Meu corpo, uma história de como se aceitar.

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Assunto sério meus amigos. Aceitação = aceitar + ação, o ato de se aceitar, agir a favor de algo. Concordar com o que está em constante modificação, sujeito a mudanças, trata-se do processo de desenvolvimento pessoal, amadurecimento, crescimento…

Não é fácil, não é espontâneo e nem todo mundo “possui” ou “desenvolve” facilmente o ato de se aceitar. Ah! E tem aqueles dias maldosos em que estamos tão pra baixo que nada melhora nossa autoestima.

Sabe o que não é fácil também? Viver tentando se encaixar em padrões, em atitudes, em situações que não nos cabem. E quando eu falo em padrões eu não falo só de um tipo, existem variações de padrões. Ser magra, ser pop, ser alta, ser fitness, ser inteligente, ser autêntica, ser sempre “mais” do que eu posso ser.

E o que fazer para seguir em frente com tantos moldes e com a sociedade lhe cobrando pertencer a algum? Calma, respira, pensa, para um pouco. Olhe para dentro, pra você. Quem você é? Você é o suficiente para você mesmo? O quanto você se ama? Responda baixinho essas perguntas, não tenha vergonha, é uma conversa apenas entre você.

Faça esse exercício todos os dias, ou se não der, se olhe no espelho e admire o que você vê, o que se tornou, e se não tiver tudo bem, ainda tem o dia de amanhã para organizar tudo. Vou te contar que existe uma diferença entre se agradar e agradar os outros, o primeiro nunca dá certo, pois no fundo você nunca será completo. Já o segundo é o que realmente importa. Sabia que ser feliz consigo mesmo é a principal porta para que os outros te amem? Pense nisso.

Ai quem vê essa postagem pensa que eu sou altamente resolvida comigo, mas infelizmente eu tenho muitos problemas em relação a autoimagem. Como você se vê? Nem todos os dias eu consigo me amar e isso não vem de hoje.

Desde pequena fui gordinha, acima do peso, comia muita besteira, mais por influência do que por vontade. Assim me tornei uma adolescente com sobrepeso e cheia de piadinhas por ser gordinha. Não foi fácil. Não mesmo. O que me deixou pior era querer ser aceita, ser bonita, e principalmente, eu queria que parassem de falar coisas de mim… Foi quando eu comecei a parar de comer e virei anoréxica, de quase 70 kg eu fiquei com 42 kg e querendo emagrecer mais e mais… só para agradar os outros, nunca para me agradar.

E eu consegui agradar? Não! Começaram a me chamar de magra, doente, e eu não entendia. Se eu era gorda, falavam, se eu estou magra, falam. O que eu faço? Felizmente por saúde eu voltei a comer, mas essas confusões ainda estavam em mim e eu acabei virando uma menina com bulimia, sempre comia, desesperadamente e quando batia o arrependimento eu vomitava.

Não foi uma caminhada fácil. Críticas e mais críticas. Ate onde devemos ir para satisfazer os outros? Será se vale a pena? Com o passar do tempo eu fui me desligando mais dessas coisas, pensando no meu desenvolvimento interior. Mas acham que eu me curei da noite pro dia? Não mesmo. Eu ainda sofro com muitas questões envolvendo meu corpo. Ainda tenho pensamentos anoréxicos e bulímicos. E com o tempo eu acabei engordando, novamente… E o que eu fiz? Comecei a malhar… Outra obsessão. Queria definição, barriga chapada, ficar bonita nas fotos, chamar mais atenção… E com isso veio a frustação, a demora, a ansiedade… Recentemente descobri que tenho um transtorno psicológico. Deixei de malhar, deixei muitas coisas e fiquei mal, minha confusão mental não vinha de hoje. Eu sempre fui diferente. Mas olha só, ser diferente é importante, é único, é ser você, o que tem de errado nisso? Nada.

O que ninguém percebe é o vazio que se forma e que acaba puxando a gente cada vez mais, isso tudo na tentativa de pertencer e agradar. Essa hora a palavra aceitação é só mais uma figurinha no nosso álbum de tristezas. Nosso corpo vai sendo maltratado, nossos pensamentos esmagados e nossa essência se esvai…

Eu vivo com os meus transtornos, com as minhas dúvidas, insegurança, como eu disse, nem todos os dias estamos bem, e tudo bem, é absolutamente normal. Aceitar-se é construção, é sorrir a cada felicidade, mesmo que pequena. Vocês vão me entender quando aparecer uma ruga nova e vocês perceberem que isso faz parte da vida, do tempo, da nossa jornada. Eu nem sorria pra não ter que forçar o aparecimento de novas linhas de expressão, e hoje o que eu faço? Não me importo, não vou deixar de sorrir, de ser feliz por causa de uma bobagem que só me torna mais humana, mais eu.

Eu estou aprendendo a gostar de mim, eu malho para me sentir disposta, me sentir bem ao longo do dia, o que vier desse meu esforço vai ser lucro, eu como as minhas besteiras, não vou mais me privar de coisas que eu gosto por conta de um comentário. Mas, nem sempre é assim, lógico que as vezes eu fico mal, como quando uma pessoa próxima me chamou de gordona, eu corri pra academia, é como eu disse, aceitação é um aprendizado. Tem dias que eu amo minhas estrias, e tem dias que eu só queria apagar todas as marcas do meu corpo. É assim mesmo.

Uma coisa importante, veja se vale a pena estar perto de certas pessoas, pois existem aqueles que nos colocam pra baixo, sugam as nossas energias. Fuja dessas pessoas.

Então, o que eu deixo aqui hoje é uma reflexão. Magras, baixas, gordinhas, fitness… todos passamos por bons e maus momentos, já fomos e seremos criticados em algum estágio da vida, mas se você tiver em si a palavra aceitação, e todo o seu significado, você vai conseguir se amar, e o que vem de dentro transforma uma pessoa extremamente bonita por fora, independente da sua forma. É um verdadeiro clichê, que leva anos para se construir e fortalecer dentro de nós, mas que nos faz evoluir e enxergar o mundo além do que os olhos podem mostrar.

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Hoje eu me aceito mais como eu sou, com meus defeitos, assumindo-os e tentando melhorar, sei que posso mudar. Sabe, eu gosto das minhas pernas grossas e tortas, do meu rostinho redondinho, da minha cor, de todas as minhas cicatrizes e até das minhas manchinhas entre as pernas e bumbum que quem é cheinho vai entender. Nem todos os dias eu sou assim, mas nem por isso eu deixo de me olhar, de me pegar, de sorrir para mim, conversar comigo. Aceitação é constante, é dia a dia, é levantar a cabeça, ser forte, ser capaz de se amar e fazer amar-se.

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Dedico esse texto ao meu namorado Pedro Paulo por me amar como eu sou e estar sempre me elogiando. Aos meus amigos e familiares, lembram da dica de pessoas boas por perto? Pois é, eu tenho os melhores por perto, Rogéria Sousa, Laura Moura, Cinara Taumaturgo, Clara Viana, Carlos Augusto e Abner Oliveira. Muito obrigado, a gente vai crescendo junto e se amando cada dia mais.

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A construção do que somos é repleta de desafios, quedas e tropeços. Mas a chave para que o seu eu se forme está na constância e dedicação de encontrar a sua voz, o seu toque e a sua forma de ver como o mundo pode ter várias cores. Eu escolhi a cor viver, um arco-íris de crescimento.

Júlia Peixoto.

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Autor: lamodejuh

Uma garota divertida e que adora alegrar os outros, focada e pronta para ajudar sempre que necessário.

6 pensamentos

  1. É o velho, mas nunca trivial, estar bem consigo mesmo. Nesse contexto, se pensarmos em sempre agradar segundas e terceiras pessoas, o sofrimento é inevitavelmente maior. Até por um princípio lógico básico, não é mesmo? Ñ se agrada a todos. E se tratando da vida individual? Vamos ser bem epicuristas mesmo, devemos dar vazão a nossos desejos e necessidades naturais de forma EQUILIBRADA E MODERADA, pois a supressão dos prazeres e desejos, que são expressões de nossa natureza, causa sofrimento mesmo. Então, beba e coma o que tu gostas, faça exercícios regularmente, faça amor com quem se sintas atraída e com a vida. Que a harmonia e a plenitude espiritual de Eros se manifeste mais no mundo 🙂

    Você é linda.

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